Jogar The Last of Us Part II pela primeira vez, e já na versão remasterizada para PC, foi uma experiência intensa. Nunca tive contato com o jogo original no PlayStation, então tudo era novo para mim: a história, os personagens e, principalmente, a atmosfera sufocante que ele constrói. Não demorou para perceber que essa não era apenas mais uma jornada de ação e sobrevivência. Era um mergulho profundo na brutalidade humana, na vingança e nas consequências de cada escolha.

Desde os primeiros minutos, senti o peso de cada ação. A forma como o jogo transmite essa carga emocional é única. Comparado ao primeiro The Last of Us, tudo aqui parece mais denso. As cores, os cenários, as expressões dos personagens – cada detalhe reforça a dor e a sede de vingança que permeia a narrativa. Em diversos momentos, me vi desconfortável, como se estivesse dentro daquele mundo devastado, testemunhando cada decisão difícil e suas consequências diretas. E essa sensação só se intensifica conforme a história avança.

Uma história de dor, ódio e redenção

A história de The Last of Us Part II não se contenta em ser apenas uma sequência. Ela expande o universo e aprofunda os personagens de uma forma que poucos jogos conseguem. O enredo gira em torno da vingança, mas não entrega respostas fáceis. A Naughty Dog constrói uma narrativa que nos obriga a enxergar diferentes perspectivas e a questionar nossas próprias crenças sobre certo e errado.

Logo no início, as escolhas de Ellie me chocaram. Sua obsessão por vingança a consome de um jeito angustiante, e a jornada dela se torna cada vez mais sombria. Quando o jogo me colocou no controle de Abby, minha percepção do conflito mudou completamente. No começo, relutei em aceitar essa mudança, mas, aos poucos, entendi o que o jogo queria fazer: me forçar a sentir empatia por alguém que, a princípio, eu odiava.

Essa inversão de perspectiva foi um dos elementos mais impactantes para mim. Enxergar a história pelos olhos de Abby não só deu mais profundidade ao enredo, mas também me fez questionar se havia um verdadeiro vilão nessa história. No final, não há heróis ou vilões, apenas pessoas tentando sobreviver em um mundo cruel.

O impacto emocional desse jogo é gigantesco. Ele não tem medo de te tirar da zona de conforto, de te forçar a refletir sobre suas emoções e de te fazer questionar cada decisão tomada. Poucas histórias conseguem esse efeito, e é por isso que The Last of Us Part II se destaca como uma experiência narrativa única.

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Capturado no PC

Jogabilidade: tensa, visceral e estratégica

Se a história carrega um peso emocional imenso, a jogabilidade potencializa essa sensação. Cada confronto é brutal e imprevisível. Os inimigos se comunicam, procuram cobertura, tentam te flanquear e reagem ao que acontece ao redor. Isso torna cada encontro único e perigoso.

A mecânica de sobrevivência continua sendo um dos pontos altos. Recursos são escassos e exigem planejamento. Ter que escolher entre fabricar um kit médico ou algumas flechas adiciona um peso estratégico que mantém a tensão constante. Além disso, a física dos combates impressiona: cada golpe, tiro ou explosão tem impacto real, e as animações de dano são incrivelmente detalhadas. Quando você acerta um inimigo, sente o peso da violência como em poucos jogos.

A versão remasterizada traz o modo No Return, uma novidade que adiciona um elemento roguelike ao jogo. Esse modo apresenta desafios gerados aleatoriamente, onde você precisa sobreviver com recursos limitados e enfrentar diferentes tipos de inimigos. A cada partida, desbloqueamos personagens com habilidades distintas, o que adiciona variedade e rejogabilidade. Testar diferentes abordagens nesse modo foi uma experiência desafiadora e recompensadora, ampliando ainda mais a longevidade do jogo.

Gráficos e imersão: um espetáculo visual

Visualmente, The Last of Us Part II Remastered é um espetáculo. A versão para PC trouxe um nível de detalhamento impressionante. As expressões faciais dos personagens transmitem emoções de forma tão realista que, em certos momentos, parecia que eu estava assistindo a um filme. O olhar de raiva de Ellie, a dor estampada no rosto dos personagens – tudo isso é representado com fidelidade impressionante.

Os cenários também são um show à parte. As cidades destruídas, as florestas densas e os pequenos detalhes em cada ambiente fazem com que o mundo pareça vivo. A iluminação e os efeitos climáticos adicionam camadas extras de imersão, tornando cada local memorável. Muitas vezes, parei apenas para admirar os detalhes ao meu redor.

O som também merece destaque. Cada ambiente tem seu próprio design sonoro, e a trilha de Gustavo Santaolalla reforça o tom melancólico do jogo. Os passos sobre o asfalto molhado, o eco dos tiros em espaços fechados, o barulho distante dos estaladores – tudo contribui para uma experiência profundamente imersiva.

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Capturado no PC

Desempenho no PC: uma experiência fluida

Minha experiência técnica com o jogo foi impecável. Testei The Last of Us Part II Remastered em um Ryzen 5 3600, RTX 4060 e 16GB de RAM, rodando no máximo com DLAA. O desempenho variou entre 70 e 100 FPS, mantendo-se estável. Para quem busca ainda mais fluidez, o suporte ao DLSS permite alcançar 120 a 130 FPS no modo qualidade.

Mesmo com essa otimização, encontrei alguns bugs. Nada grave, mas alguns momentos foram frustrantes, como um erro onde a Abby atravessou o chão durante uma cinemática e morreu, travando o jogo em uma tela de carregamento infinita. Se estivesse no modo morte permanente, teria sido ainda pior. Além disso, pequenos glitches gráficos, como reflexos exagerados em vidros, apareceram ocasionalmente.

A versão de PC traz diversas opções gráficas, permitindo ajustes detalhados para quem quer priorizar desempenho ou qualidade. O suporte a monitores ultrawide e taxas de quadros desbloqueadas fazem desta a melhor forma de jogar The Last of Us Part II fora dos consoles.

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Capturado no PC

Uma experiência que marca para sempre

Chegar ao final de The Last of Us Part II foi como sair de uma tempestade emocional. Não é apenas um jogo sobre vingança. É um estudo profundo sobre a natureza humana, sobre como a dor e o ódio moldam nossas escolhas e sobre as consequências irreversíveis de cada ato. Poucos jogos conseguem me fazer refletir tanto depois de terminar a campanha, e esse foi um deles.

Se você nunca jogou The Last of Us Part II, essa versão remasterizada é a forma definitiva de vivenciar essa história. Se já jogou antes, vale a pena revisitar para conferir as melhorias gráficas e o novo modo No Return. Além disso, a performance no PC garante que essa experiência seja aproveitada da melhor maneira possível.

No fim das contas, The Last of Us Part II não é só um jogo que você joga e esquece. Ele te acompanha depois dos créditos, te faz pensar, sentir e, em certos momentos, até te desconforta. Poucas experiências têm esse impacto. Talvez seja por isso que essa jornada seja tão inesquecível.

Nota
Geral
10
the-last-of-us-parte-ii-remastered-review-pcThe Last of Us Part II Remastered no PC superou todas as minhas expectativas. Além de entregar gráficos incríveis e um desempenho fluido, essa versão me fez sentir cada detalhe da história com ainda mais intensidade. Jogar em altas taxas de FPS e com visuais refinados tornou a imersão ainda mais profunda, ampliando o impacto emocional da jornada. Para quem nunca jogou, essa é a versão definitiva. E para quem já conhece a história, revivê-la no PC é uma experiência que vale cada segundo.